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Love

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Sep 15, 2025
8
alanpotter17
O filme “Love” (Kjærlighet, 2025), de Dag Johan Haugerud, compõe a trilogia composta ainda por Dreams e Sex, consolidando um projeto artístico que se propõe a refletir sobre as formas de vida íntima na contemporaneidade. Em Love, o diretor já revela a potência maior desse ciclo: ao invés de tratar o amor como abstração sentimental, ele o coloca no terreno da materialidade, onde se cruzam afetos, corpos, saúde e a concretude das escolhas. O caso de personagens que lidam com questões médicas, como câncer ou memórias relacionadas ao HIV, mostra que a experiência amorosa é inseparável do cuidado e da vulnerabilidade, distanciando-se de qualquer idealização ingênua. Essa concretude se amplia quando Haugerud expõe as diferenças geracionais: de um lado, aqueles que viveram a juventude nos anos 1980, marcados pelo pânico da AIDS e pela luta por reconhecimento; de outro, uma geração mais jovem, que explora aplicativos de encontros e busca o prazer em redes digitais. Entre ambos, o filme não traça julgamentos, mas evidencia como cada época reinventa os códigos da intimidade, seja na ansiedade do teste de HIV ou na instantaneidade dos “matches”. A pergunta que resta é comum: como encontrar um prazer verdadeiro, que não seja só consumo, mas expressão plena de si? Como fugir dos papéis sociis que nos são impostos, muitas vezes, contra nossos próprios desejos? Outro ponto de destaque é o equilíbrio entre as vozes masculinas e femininas. Haugerud dá espaço para diferentes perspectivas, evitando hierarquias fáceis, e compõe um retrato plural das tensões e desejos que atravessam homens e mulheres. O resultado é uma narrativa que reconhece as vulnerabilidades de ambos, aproximando-os mais do que separando-os. Entre os três títulos da trilogia, “Love” se impõe, a meu ver, como a obra mais forte, porquefala com clareza temática e rigor estético, instaurando desde já o tom de honestidade e profundidade que sustenta o projeto. Haugerud constrói um cinema da intimidade que não teme mostrar a precariedade dos corpos, a banalidade dos encontros ou a dureza da memória, e a materialidade dos seus trabalhos em consonância com a rotina. Em Love, amar significa lidar com a fragilidade, com a saúde, com a sobrevivência, com o trabalho, com o prazer e com a passagem do tempo — e justamente por isso, o filme se torna um gesto radical de humanidade.
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